Gonçalo Lobo Duarte, SETEMBRO 2026

Nómadas digitais: trabalhar para o mundo, viver em Portugal.

O trabalho já não é o que era. O escritório no centro da cidade com um horário das 8h às 17h deixou de ser a norma. Hoje, basta um computador, boa internet e alguma disciplina para trabalhar para qualquer empresa, em qualquer lugar do mundo, dando prioridade a viver num local com maior qualidade de vida, segurança, melhor clima e boas infraestruturas.  

Nos últimos anos, Portugal tem sido o país de eleição de muitos nómadas digitais: pessoas que trabalham remotamente para empresas ou clientes estrangeiros e que decidem instalar-se por cá, por mais ou menos tempo.

As razões repetem-se entre quem fez esta escolha. Fatores como o clima ameno durante quase todo o ano, a costa atlântica, as cidades cheias de identidade, a gastronomia e uma oferta cada vez maior de espaços de coworkings e comunidades internacionais, juntam-se ao facto de Portugal ser um país europeu seguro e acolhedor. 

São estes, entre outros, os motivos que têm impulsionado cada vez mais profissionais a escolher Portugal para este este estilo de trabalho e vida. Lisboa e Porto continuam a ser os destinos mais procurados, sobretudo pelas comunidades tecnológicas e internacionais, mas o interesse estende-se hoje ao Algarve, à Madeira, aos Açores e a cidades como Braga, Coimbra, Aveiro ou Évora.

Duas opções de visto, uma solução para toda a família

Ser nómada digital exige também cumprir alguns critérios. Portugal prevê duas vias principais para quem pretende residir no país enquanto trabalha remotamente:

  1. Visto de estadia temporária – destinado a permanências inferiores a um ano, com múltiplas entradas.
  2. Visto de residência – para quem pretende permanecer por mais tempo e, posteriormente, solicitar uma autorização de residência..

 

Um dos requisitos centrais é comprovar um rendimento médio mensal de, pelo menos, quatro salários mínimos nacionais (3.680€ em 2026). Para o comprovar, devem ser apresentados os extratos bancários e documentação comprovativa de rendimentos referentes aos meses anteriores ao pedido, cujo tipo e extensão podem variar consoante a natureza da atividade exercida.

Em Portugal, a família pode acompanhar o requerente principal desde o início do processo, permitindo planear a mudança em conjunto. Esta possibilidade de pedido simultâneo torna a transição mais simples, eliminando a necessidade de adiar o reagrupamento familiar para uma fase posterior.

Um processo bem preparado e com documentos coerentes entre si poupa tempo e evita pedidos adicionais ou respostas negativas. A fase de preparação documental é, por isso, determinante. 

Não ignore a fiscalidade

Ter o visto aprovado não resolve nem esclarece as questões fiscais. A residência fiscal, a origem e o tipo de rendimentos auferidos, os tratados internacionais aplicáveis e benefícios fiscais disponíveis em Portugal influenciam de forma significativa a tributação. A análise migratória deve, por isso, andar sempre a par de uma avaliação fiscal individual.

É importante ter em conta que a fiscalidade é um tema que exige atenção redobrada. Informação genérica ou referências a regimes que já não estão em vigor podem conduzir a decisões erradas. Antes de avançar, é fundamental analisar o caso à luz da legislação atualmente aplicável.

Portugal pode ser o seu próximo escritório

Para quem trabalha à distância, escolher onde viver tornou-se tão importante como escolher onde trabalhar e Portugal pode ser o lugar onde essas duas escolhas se encontram. 

O processo pede preparação e atenção aos detalhes. Uma análise prévia ajuda a identificar a via mais adequada, a confirmar os documentos necessários para esta mudança e a antecipar questões migratórias, fiscais ou práticas antes de avançar com o pedido.

Está a pensar viver e trabalhar a partir de Portugal? Fale connosco e descubra como podemos ajudá-lo a dar o próximo passo.